quarta-feira, 19 de março de 2014

Benfica, "Champions" e títulos: o novo Mundo de Manduca depois do Marítimo

 

Por SÉRGIO FREITAS TEIXEIRA

Gustavo Manduca chegou a Portugal em 1999 com destino ao Felgueiras, da II Liga. Seguiu-se o Esposende, o Chaves e o Paços de Ferreira até que em 2004 foi contratado pelo Marítimo, na altura treinado por Manuel Cajuda. Jogando como médio ofensivo ou avançado, fez 32 jogos, e marcou sete golos. Na época seguinte voltou a manter a titularidade de forma indiscutível e a importância na equipa. Com cinco golos marcados e com grandes exibições, convenceu o Benfica do holandês Ronald Koeman a contratá-lo, em Janeiro de 2006. Na Luz, esteve em alta até ao final dessa época e jogou ainda na Liga dos Campeões, mas uma proposta irrecusável financeiramente do AEK da Grécia levou-o a mudar de ares. Lá ficou três épocas e depois mais três no Apoel do Chipre onde já foi campeão duas vezes e atualmente é um dos melhores marcadores do campeonato. Com mais de 40 jogos nas pernas divididos entre a "Champions" e a Liga Europa, Manduca, agora com 33 anos, espera jogar, pelo menos, mais uma época antes de pendurar as chuteiras. O jogador falou em exclusivo ao Domínio Público, dando início a uma nova rubrica semanal com jogadores que se destacaram na última década no Marítimo e no Nacional.


- Foi contratado pelo Marítimo em 2004, depois de ter jogado cinco épocas em Portugal em clubes de menor dimensão. Como foi essa mudança?
- A mudança foi muito boa e importante para minha carreira pois o Paços de Ferreira tinha descido para a Segunda Divisão e isso não seria bom para a continuidade da minha carreira. Estive na Segunda Divisão alguns anos lutando e tentando crescer para poder chegar à Primeira Liga. O interesse do Marítimo veio confirmar que mesmo com a descida do Paços, eu consegui fazer um bom trabalho.

. Que análise faz das duas épocas que passou no Marítimo?
- As minhas épocas no Marítimo foram positivas em todos os aspectos. Joguei sempre com regularidade e desde o primeiro ano consegui despertar o interesse dos grandes! O Marítimo foi um clube importante para a minha carreira. Na altura acho que consegui ajudar a equipa e saí do clube num bom momento de minha vida. Deixei no Marítimo muitos amigos...

O que é que destaca dos anos passados na Madeira?
- Destaco muitas coisas! A minha filha nasceu na Madeira e foi um momento maravilhoso! Gostei muito da comida… as pessoas acolheram-me sempre com muito carinho e fiz amizades com pessoas que mesmo longe ainda estão presentes na nossa vida… A ilha da Madeira é linda!
 
- Ainda se interessa por acompanhar as épocas do Marítimo ou nem por isso?
- Acompanho sempre os resumos e interesso-me em saber com vai a equipa.
 
- O Marítimo foi o clube que o projetou no futebol, ao ponto de ter sido contratado pelo Benfica em Janeiro de 2006. Como foi esse salto?
- Foi o maior salto da minha carreira e o momento mais importante. Um Mundo novo e uma nova realidade...
 
O sonho chamado Benfica
 
- O ano de 2006 foi mesmo o seu melhor ano nos encarnados. Jogou muitos jogos e ao lado de nomes como Miccoli, Luisão, Simão Sabrosa, Karagounis, etc...Como foi tudo isso?
- Tive um bom começo no Benfica. Joguei 14 jogos a titular num total de 16 e acho que estive bem! A concorrência no Benfica sempre foi muito grande e como cheguei no mercado de Inverno é normal que tivesse sentido uma pressão maior, até porque os jogadores que são contratados nesta fase da época devem chegar e fazer a diferença. Quando se chega a um clube novo no inicio da época é sempre muito mais fácil de se adaptar porque há mais tempo para trabalhar. Mas acho que devido às circunstâncias a minha breve passagem pelo Benfica foi positiva. Depois recebi uma melhor oferta financeira de uma equipe da Grécia, o AEK, e aí decidi mudar, juntamente com a minha esposa.
 
- Quais foram os maiores amigos que fez no Benfica?
- Fiz alguns amigos. O que tenho contado com mais frequência é o Geovanni. Mas também sou amigo do Beto, do Moretto e do Luisão. Aqui no Chipre reencontrei o Moreira e o Nuno Assis.
 
- Qual foi o melhor momento que viveu no Benfica?
- O melhor momento foi meu primeiro jogo na equipa contra a Académica.
 
- Depois rumou à Grécia onde esteve três épocas e meia. Como foram esses anos?
- Foram anos maravilhosos! Cresci muito como jogador na Grécia e fiz parte de momentos muito importantes da equipa. Encontrei uma cultura completamente diferente onde as pessoas vivem de forma intensa e fanática o futebol. Fiquei lá durante 4 anos e foi tudo muito bom, desde a vida fora como dentro do futebol.
Campeão no Chipre em duas das três épocas
 
- Agora, vive há quatro anos no Chipre, sempre no Apoel. Como está a ser a época?
- No geral, as coisas estão a correr muito bem aqui no Chipre. Em três épocas, fomos campeões em duas e esta temporada espero voltar a conquistar o título. Esta época tem sido muito boa. Tenho 11 golos no campeonato e três na Taça. Sou o melhor marcador da equipa e neste momento estamos em segundo lugar, a apenas um ponto do primeiro classificado. Estamos confiantes que poderemos ser campeões novamente!
 
- Viveu em quatro países, à exeção, claro, do Brasil. Todos muitos diferentes, mas qual foi o que mais o marcou?
- Sem dúvida que foi Portugal. Foi onde estive durante 8 anos e meio e foi onde mais cresci, quer como homem, quer como jogador. Tenho muito a agradecer a todos os países por onde passei mas especialmente a Portugal.
 
- Tem agora 33 anos, até quando espera continuar a jogar?
- Tenho mais um ano de contrato com o Apoel, o que significa que jogarei durante mais um ano no mínimo. Depois disso, verei a cada ano como me sinto. Quero jogar bem e ajudar a equipa. Quando sentir que não conseguirei mais jogar como quero e da forma como a equipa precisar de mim então vou parar.

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